Emprego cresce mais do que a economia em Portugal

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Origem: https://www.dinheirovivo.pt/

O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) foi de 1,6% no terceiro trimestre deste ano, comparativamente a igual período de 2015. No entanto, continua a verificar-se um fenómeno: o emprego cresceu 1,9%, mais 0,3 pontos que o PIB, no mesmo período.

Aparentemente o emprego está a crescer e de uma forma significativa”, afirmou, recentemente, o ministro do Trabalho, Vieira da Silva, em entrevista ao Diário de Notícias e à TSF.

Para João Carlos Cerejeira, professor da Universidade do Minho, isso acontece devido à baixa dos salários, algo que esteve na base do aumento da produtividade entre 2007 e 2013.

Razões conjunturais:

“Na última década (2006 a 2015), observámos três anos em que o emprego cresceu mais que o PIB: 2008, 2009 e 2014. Todos estes anos foram antecedidos por anos em que o volume de emprego cresceu muito menos que o PIB, o que implicou forte crescimento da produtividade (em 2007 e 2013)”, explica João Carlos Cerejeira, em declarações ao Dinheiro Vivo. “Como o crescimento da produtividade não foi acompanhado por uma subida correspondente dos salários, o trabalho ficou relativamente mais barato, o que pode justificar um acréscimo nas contratações nos anos seguintes. Em simultâneo, a recessão 2011-2013 levou à geração e capacidade instalada não utilizada, o que permitiu o aumento de emprego nos anos seguintes sem necessidade de investimento em capital”, acrescenta.

Razões estruturais:

A taxa de desemprego no 3.º trimestre de 2016 foi 10,5%. Este valor é inferior em 0,3 pontos percentuais (p.p.) ao do trimestre anterior e em 1,4 p.p. ao do trimestre homólogo de 2015. Assunção Cristas, líder do CDS-PP, lembrou há dias que a diminuição do desemprego fica a dever-se também a políticas de flexibilidade laboral do anterior Governo.

Segundo o professor da Universidade do Minho, a alteração da legislação do trabalho fez, de facto, diminuir os custos de despedimento, e por consequência, de contratação. “Esta alteração (estrutural) faz com que as empresas reajam mais rapidamente em termos de emprego quando enfrentam choques positivos na sua procura, uma vez que têm menos custos para realizarem um ajustamento quando se suceder um choque negativo”.

João Carlos Cerejeira alerta ainda para o facto de a recessão prolongada (2009-2013, com exceção apenas de 2010) poder ter levado a uma diminuição dos salários de reserva, ou seja, do valor mínimo a partir do qual os desempregados estão dispostos a aceitar um emprego.

Em suma, parecem ser estas as principais razões para esta alteração.

 

 

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